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Não tive eu uma vez uma juventude amável, heróica, fabulosa, a escrever sobre folhas de ouro — muita sorte! Por que crime, por que erro, terei merecido a minha fraqueza atual? Vocês que pretendem que bichos soltam soluços de tristeza, que doentes desesperam, que mortos sonham mal, tentem contar a minha queda e meu sono. Eu não posso me explicar mais do que o mendigo com seus contínuos Pater e Ave Maria. Não sei mais falar!
No entanto, hoje, creio ter terminado o relato do meu inferno. Era mesmo o inferno; o antigo, aquele que o filho do homem abriu as portas.
Do mesmo deserto, à mesma noite, sempre meus olhos cansados acordam à estrela de prata, sempre, sem que se emocionem os Reis da vida, os três magos, o coração, a alma, o espírito. Quando iremos, para lá das praias e dos montes, saudar o nascimento do trabalho novo, a sabedoria nova, a fuga dos tiranos e dos demônios, o fim da superstição, adorar — os primeiros — Natal sobre a terra!
O canto dos céus, a marcha dos povos! Escravos, não vamos amaldiçoar a vida.
***
Ultimo capitulo do poema em prosa "Uma Estadia no Inferno" de Arthur Rimbaud...
Ja disse que sinto.
Demasiadamente sinto.
As vezes falo,
as vezes sigo meu instinto.
Se fico nervoso
explodo de uma vez,
depois me arrependo
de tamanha estupidez.
Não queria fazer mal algum,
apenas desabafei.
Queria conversar
com quem meu coração eu dei.
Hoje o dia passa devagarinho
e estou louco pra dar um abraço,
que talvez sirva como desculpas
ou mais uma vez como desabafo.
Thiago Bode

Preciso disso.
Preciso da agua gelada, do vento na cara e do pé no chão...do medo de mergulhar, e de pisar nas pedras do fundo...
preciso do carinho de quem eu gosto, preciso de ver estrelas... preciso recarregar...
preciso me achar de novo, preciso lembrar quem sou eu.
acordar de manhã, com preguiça de levantar...
preciso sentar numa sombra e passar horas batendo papo
não preciso de muita coisa, apenas disso, e dela....
Do vermelho que arde e inflama,
ela faz o laranja da alegria.
Do azul do olho de quem vai,
ela faz o roxo que ficaria.
Do amarelo que brilha com o sol,
ela me traz um novo dia.
Do vermelho que corre pelos olhos,
ela tem a pele que me arrepia.
Do azul que me embota,
ela faz um verde que eu não conhecia.
Do amarelo dos seus cabelos,
ela faz apenas poesia.
Thiago Bode
Por Alyne Claudino
As imagens não estavam claras, as vozes pareciam se misturar, o ar da sala estava inundado de uma energia, que era possível sentir seu cheiro...
Um abraço carinhoso - foi a primeira vez que senti toda expressão de carinho em um único abraço, aquele abraço disse muito mais do que mil palavras - e continuei entre aqueles braços, continuei sentindo seu cheiro, sentindo a sinceridade daquele abraço, sentindo a energia daquela sala! Eu não queria sair dali. Queria que o tempo tivesse parado exatamente ali: naquele abraço.
Mas o tempo não parou e quando achei que aquele abraço se perderia para sempre e eu não teria a chance de retribuir todo aquele sentimento que me fez perder a consciência, veio então algo mais ainda perturbador: o beijo! Ah o beijo!!!
Se antes minha consciência estava baixa, meu coração já acelerava e meus sentidos não faziam sentido algum, neste momento mergulhei na camada mais profunda da minha incosciência... fiquei nadando ali, naquele eu estranho, naquele eu feliz da qual eu ainda não conhecia... Vi que não poderia deixar essa alegria acabar.
Mais uma vez tentei retribuir todo aquele sentimento que tomava conta de mim e não me deixava ao menos falar...porém minha noção já estava perdida, minha força foi além do planejado e seus cabelos se apertavam entre meus dedos, sua expressão era de desejo e dor... eu precisava arrancar aqueles lábios e levá-los para mim, eu precisava tê-los só para mim e acabar com a insegurança de não senti-los mais... mais uma vez minha força superou minha intenção e sua expressão era agora enigmática!
Não sei quanto tempo fiquei ali, naquele desespero de consumir aquela felicidade e não deixá-la escapar. Não sei quanto tempo se passou entre o gosto da vodka e o cheiro do cigarro, não sei quanto tempo passou entre meu desejo e sua dor.
Sei que aquele eu estranho, aquele eu feliz, aquele desejo me consumiu e me despertou um sentimento novo...agora preciso ter a coragem de dizer em voz alta qual é o nome desse sentimento!
Esse é o meu favorito, tomei a liberdade de postar aqui. Tenho certeza q esse momento foi muito significativo e importante para hoje!