segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Minha antiga poesia

Talvez o barulho do mar
ou cheiro da maresia
possa ser um bom remédio
pra minha falta de poesia.

Ou então o cair de uma cachoeira,
alta e calma todavia,
consiga trazer de volta
um pouco da minha poesia.

Nada disso.
Mar, cachoeira ou anestesia.
O que eu preciso mesmo
é ser quem eu já fui um dia.



quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A Mosca

(Willian blake)

Não serei mosca,
Um igual teu?
Ou não és tu
Homem, como eu?

Pois amo a dança,
Canções, bebida,
Até que a mão cega
Me corta a vida

(estrofes 2 e 3)

quinta-feira, 10 de março de 2011

Pontuar a frase, por o pingo no "i".
Amo do meu jeito. Menos falar, muito sentir.

Thiago Bode

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Pintura a dedo

Meus dedos ainda estão azuis
da tinta que pintei o mar.
Com as mãos fiz possível
meu barco velejar.

Coloquei tudo no barco
e botei-o sobre o mar,
com os dedos de tinta molhada
abri uma onda e o fiz naufragar.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Ó tosão que até a nuca encrespa-se em cachoeira!
Ó cachos! Ó perfume que o ócio faz intenso!
Êxtase! Para encher à noite a alcova inteira
Das lembranças que dormem nessa cabeleira,
Quero agitá-la no ar como se agita um lenço!

Uma Ásia voluptuosa e uma África escaldante,
Todo um mundo longínquo, ausente, quase morto,
Revive em teus recessos, bosque trescalante!
Se espíritos vagueiam na harmonia errante,
O meu, amor! Em teu perfume flui absorto.

Adiante irei, lá, onde a vida a latejar,
Se abisma longamente sob a luz dos astros;
Revoltas tranças, sede a vaga a me arrastar!
Dentro de ti guardas um sonho, negro mar,
De velas, remadores, flâmulas e mastros:

Um porto em febre onde minha alma há de beber
A grandes goles o perfume, o som e a cor;
Lá, onde as naus, contra as ondas de ouro a se bater,
Abrem seus vastos braços para receber
A glória de um céu puro e de infinito ardor.

Mergulharei a fonte bêbada e amorosa
Nesse sombrio oceano onde o outro está encerrado;
E minha alma sutil que sobre as ondas goza
Saberá voz achar, ó concha preguiçosa!
Infinito balouço do ócio embalsamado!

Coma azul, pavilhão de trevas distendidas,
Do céu profundo dai-me a esférica amplidão;
Na trama espessa dessas mechas retorcidas
Embriago-me febril de essências confundidas
Talvez de óleo de coco, almíscar e alcatrão.

Por muito tempo! Sempre! Em tua crina ondeante
Cultivarei a pérola, a safira e o jade,
Para que meu desejo em teus ouvidos cante!
Pois não és o oásis onde sonho, o odre abundante
Onde sedento bebo o vinho da saudade?

(Charles Baudelaire)

terça-feira, 24 de agosto de 2010

oculos escuros

as lentes escuras dos meus óculos
me proporcionam um segredo.
o que eu vejo nelas
não faz parte do enredo.

as lentes desses óculos
são modernas e valiosas
me fazem ver histórias e aventuras
no mínimo curiosas

nelas, vejo além da realidade,
quase que exclusivamente.
porém as lentes escuras me escoderam
o que o que aconteceu com a gente.

as lentes, que me mostram
tudo que eu quero ver,
também me deixou cego
com dificuldades de ver você

devo estar cego...

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Bateau Lavoir

A cadeira derrepente ficou pequena, a porta fez um convite. Não consigo me concentrar.
Isso nunca aconteceu antes, me sinto enfeitiçado.
Talvez o cheiro de éter, tinta e ópio do bateau lavoir, talvez o humor de Jacob, talvez a personalidade de Picasso, ou até mesmo os modos de Apollinaire, não sei... quero correr pra casa para voltar à Montmartre...

Obrigado Dan Franck...