Quem ja fez planos?
Quem ja os viu ir embora?
Quem ja sentiu se pleno?
Quem ja se sentiu como me sinto agora?
Não consigo retirar o porta-retrato
aquele, que antes me deleitava
hoje me afoga,
muito mais do que eu esperava.
Jamais terei seu sorriso de novo
Não meu.
sábado, 4 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Minha antiga poesia
Talvez o barulho do mar
ou cheiro da maresia
possa ser um bom remédio
pra minha falta de poesia.
Ou então o cair de uma cachoeira,
alta e calma todavia,
consiga trazer de volta
um pouco da minha poesia.
Nada disso.
Mar, cachoeira ou anestesia.
O que eu preciso mesmo
é ser quem eu já fui um dia.
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
A Mosca
(Willian blake)
Não serei mosca,
Um igual teu?
Ou não és tu
Homem, como eu?
Pois amo a dança,
Canções, bebida,
Até que a mão cega
Me corta a vida
(estrofes 2 e 3)
Não serei mosca,
Um igual teu?
Ou não és tu
Homem, como eu?
Pois amo a dança,
Canções, bebida,
Até que a mão cega
Me corta a vida
(estrofes 2 e 3)
quinta-feira, 10 de março de 2011
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Pintura a dedo
Meus dedos ainda estão azuis
da tinta que pintei o mar.
Com as mãos fiz possível
meu barco velejar.
Coloquei tudo no barco
e botei-o sobre o mar,
com os dedos de tinta molhada
abri uma onda e o fiz naufragar.
da tinta que pintei o mar.
Com as mãos fiz possível
meu barco velejar.
Coloquei tudo no barco
e botei-o sobre o mar,
com os dedos de tinta molhada
abri uma onda e o fiz naufragar.
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Ó tosão que até a nuca encrespa-se em cachoeira!
Ó cachos! Ó perfume que o ócio faz intenso!
Êxtase! Para encher à noite a alcova inteira
Das lembranças que dormem nessa cabeleira,
Quero agitá-la no ar como se agita um lenço!
Uma Ásia voluptuosa e uma África escaldante,
Todo um mundo longínquo, ausente, quase morto,
Revive em teus recessos, bosque trescalante!
Se espíritos vagueiam na harmonia errante,
O meu, amor! Em teu perfume flui absorto.
Adiante irei, lá, onde a vida a latejar,
Se abisma longamente sob a luz dos astros;
Revoltas tranças, sede a vaga a me arrastar!
Dentro de ti guardas um sonho, negro mar,
De velas, remadores, flâmulas e mastros:
Um porto em febre onde minha alma há de beber
A grandes goles o perfume, o som e a cor;
Lá, onde as naus, contra as ondas de ouro a se bater,
Abrem seus vastos braços para receber
A glória de um céu puro e de infinito ardor.
Mergulharei a fonte bêbada e amorosa
Nesse sombrio oceano onde o outro está encerrado;
E minha alma sutil que sobre as ondas goza
Saberá voz achar, ó concha preguiçosa!
Infinito balouço do ócio embalsamado!
Coma azul, pavilhão de trevas distendidas,
Do céu profundo dai-me a esférica amplidão;
Na trama espessa dessas mechas retorcidas
Embriago-me febril de essências confundidas
Talvez de óleo de coco, almíscar e alcatrão.
Por muito tempo! Sempre! Em tua crina ondeante
Cultivarei a pérola, a safira e o jade,
Para que meu desejo em teus ouvidos cante!
Pois não és o oásis onde sonho, o odre abundante
Onde sedento bebo o vinho da saudade?
(Charles Baudelaire)
Ó cachos! Ó perfume que o ócio faz intenso!
Êxtase! Para encher à noite a alcova inteira
Das lembranças que dormem nessa cabeleira,
Quero agitá-la no ar como se agita um lenço!
Uma Ásia voluptuosa e uma África escaldante,
Todo um mundo longínquo, ausente, quase morto,
Revive em teus recessos, bosque trescalante!
Se espíritos vagueiam na harmonia errante,
O meu, amor! Em teu perfume flui absorto.
Adiante irei, lá, onde a vida a latejar,
Se abisma longamente sob a luz dos astros;
Revoltas tranças, sede a vaga a me arrastar!
Dentro de ti guardas um sonho, negro mar,
De velas, remadores, flâmulas e mastros:
Um porto em febre onde minha alma há de beber
A grandes goles o perfume, o som e a cor;
Lá, onde as naus, contra as ondas de ouro a se bater,
Abrem seus vastos braços para receber
A glória de um céu puro e de infinito ardor.
Mergulharei a fonte bêbada e amorosa
Nesse sombrio oceano onde o outro está encerrado;
E minha alma sutil que sobre as ondas goza
Saberá voz achar, ó concha preguiçosa!
Infinito balouço do ócio embalsamado!
Coma azul, pavilhão de trevas distendidas,
Do céu profundo dai-me a esférica amplidão;
Na trama espessa dessas mechas retorcidas
Embriago-me febril de essências confundidas
Talvez de óleo de coco, almíscar e alcatrão.
Por muito tempo! Sempre! Em tua crina ondeante
Cultivarei a pérola, a safira e o jade,
Para que meu desejo em teus ouvidos cante!
Pois não és o oásis onde sonho, o odre abundante
Onde sedento bebo o vinho da saudade?
(Charles Baudelaire)
terça-feira, 24 de agosto de 2010
oculos escuros
as lentes escuras dos meus óculos
me proporcionam um segredo.
o que eu vejo nelas
não faz parte do enredo.
as lentes desses óculos
são modernas e valiosas
me fazem ver histórias e aventuras
no mínimo curiosas
nelas, vejo além da realidade,
quase que exclusivamente.
porém as lentes escuras me escoderam
o que o que aconteceu com a gente.
as lentes, que me mostram
tudo que eu quero ver,
também me deixou cego
com dificuldades de ver você
devo estar cego...
me proporcionam um segredo.
o que eu vejo nelas
não faz parte do enredo.
as lentes desses óculos
são modernas e valiosas
me fazem ver histórias e aventuras
no mínimo curiosas
nelas, vejo além da realidade,
quase que exclusivamente.
porém as lentes escuras me escoderam
o que o que aconteceu com a gente.
as lentes, que me mostram
tudo que eu quero ver,
também me deixou cego
com dificuldades de ver você
devo estar cego...
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