Pontuar a frase, por o pingo no "i".
Amo do meu jeito. Menos falar, muito sentir.
Thiago Bode
quinta-feira, 10 de março de 2011
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Pintura a dedo
Meus dedos ainda estão azuis
da tinta que pintei o mar.
Com as mãos fiz possível
meu barco velejar.
Coloquei tudo no barco
e botei-o sobre o mar,
com os dedos de tinta molhada
abri uma onda e o fiz naufragar.
da tinta que pintei o mar.
Com as mãos fiz possível
meu barco velejar.
Coloquei tudo no barco
e botei-o sobre o mar,
com os dedos de tinta molhada
abri uma onda e o fiz naufragar.
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Ó tosão que até a nuca encrespa-se em cachoeira!
Ó cachos! Ó perfume que o ócio faz intenso!
Êxtase! Para encher à noite a alcova inteira
Das lembranças que dormem nessa cabeleira,
Quero agitá-la no ar como se agita um lenço!
Uma Ásia voluptuosa e uma África escaldante,
Todo um mundo longínquo, ausente, quase morto,
Revive em teus recessos, bosque trescalante!
Se espíritos vagueiam na harmonia errante,
O meu, amor! Em teu perfume flui absorto.
Adiante irei, lá, onde a vida a latejar,
Se abisma longamente sob a luz dos astros;
Revoltas tranças, sede a vaga a me arrastar!
Dentro de ti guardas um sonho, negro mar,
De velas, remadores, flâmulas e mastros:
Um porto em febre onde minha alma há de beber
A grandes goles o perfume, o som e a cor;
Lá, onde as naus, contra as ondas de ouro a se bater,
Abrem seus vastos braços para receber
A glória de um céu puro e de infinito ardor.
Mergulharei a fonte bêbada e amorosa
Nesse sombrio oceano onde o outro está encerrado;
E minha alma sutil que sobre as ondas goza
Saberá voz achar, ó concha preguiçosa!
Infinito balouço do ócio embalsamado!
Coma azul, pavilhão de trevas distendidas,
Do céu profundo dai-me a esférica amplidão;
Na trama espessa dessas mechas retorcidas
Embriago-me febril de essências confundidas
Talvez de óleo de coco, almíscar e alcatrão.
Por muito tempo! Sempre! Em tua crina ondeante
Cultivarei a pérola, a safira e o jade,
Para que meu desejo em teus ouvidos cante!
Pois não és o oásis onde sonho, o odre abundante
Onde sedento bebo o vinho da saudade?
(Charles Baudelaire)
Ó cachos! Ó perfume que o ócio faz intenso!
Êxtase! Para encher à noite a alcova inteira
Das lembranças que dormem nessa cabeleira,
Quero agitá-la no ar como se agita um lenço!
Uma Ásia voluptuosa e uma África escaldante,
Todo um mundo longínquo, ausente, quase morto,
Revive em teus recessos, bosque trescalante!
Se espíritos vagueiam na harmonia errante,
O meu, amor! Em teu perfume flui absorto.
Adiante irei, lá, onde a vida a latejar,
Se abisma longamente sob a luz dos astros;
Revoltas tranças, sede a vaga a me arrastar!
Dentro de ti guardas um sonho, negro mar,
De velas, remadores, flâmulas e mastros:
Um porto em febre onde minha alma há de beber
A grandes goles o perfume, o som e a cor;
Lá, onde as naus, contra as ondas de ouro a se bater,
Abrem seus vastos braços para receber
A glória de um céu puro e de infinito ardor.
Mergulharei a fonte bêbada e amorosa
Nesse sombrio oceano onde o outro está encerrado;
E minha alma sutil que sobre as ondas goza
Saberá voz achar, ó concha preguiçosa!
Infinito balouço do ócio embalsamado!
Coma azul, pavilhão de trevas distendidas,
Do céu profundo dai-me a esférica amplidão;
Na trama espessa dessas mechas retorcidas
Embriago-me febril de essências confundidas
Talvez de óleo de coco, almíscar e alcatrão.
Por muito tempo! Sempre! Em tua crina ondeante
Cultivarei a pérola, a safira e o jade,
Para que meu desejo em teus ouvidos cante!
Pois não és o oásis onde sonho, o odre abundante
Onde sedento bebo o vinho da saudade?
(Charles Baudelaire)
terça-feira, 24 de agosto de 2010
oculos escuros
as lentes escuras dos meus óculos
me proporcionam um segredo.
o que eu vejo nelas
não faz parte do enredo.
as lentes desses óculos
são modernas e valiosas
me fazem ver histórias e aventuras
no mínimo curiosas
nelas, vejo além da realidade,
quase que exclusivamente.
porém as lentes escuras me escoderam
o que o que aconteceu com a gente.
as lentes, que me mostram
tudo que eu quero ver,
também me deixou cego
com dificuldades de ver você
devo estar cego...
me proporcionam um segredo.
o que eu vejo nelas
não faz parte do enredo.
as lentes desses óculos
são modernas e valiosas
me fazem ver histórias e aventuras
no mínimo curiosas
nelas, vejo além da realidade,
quase que exclusivamente.
porém as lentes escuras me escoderam
o que o que aconteceu com a gente.
as lentes, que me mostram
tudo que eu quero ver,
também me deixou cego
com dificuldades de ver você
devo estar cego...
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Bateau Lavoir
A cadeira derrepente ficou pequena, a porta fez um convite. Não consigo me concentrar.
Isso nunca aconteceu antes, me sinto enfeitiçado.
Talvez o cheiro de éter, tinta e ópio do bateau lavoir, talvez o humor de Jacob, talvez a personalidade de Picasso, ou até mesmo os modos de Apollinaire, não sei... quero correr pra casa para voltar à Montmartre...
Obrigado Dan Franck...
Isso nunca aconteceu antes, me sinto enfeitiçado.
Talvez o cheiro de éter, tinta e ópio do bateau lavoir, talvez o humor de Jacob, talvez a personalidade de Picasso, ou até mesmo os modos de Apollinaire, não sei... quero correr pra casa para voltar à Montmartre...
Obrigado Dan Franck...
sexta-feira, 14 de maio de 2010
E se…
Ainda que seja um sonho,
Por mais que pareça ilusão,
Contanto que me mantenha em paz
Não há do que pedir perdão
Não há crime em amar
Nem misterio em viver
Não há perfeição nem divino
Não há por quem sofrer
Tudo é só um delirio
ou quem sabe um sonho
Nada passa de momentos
De quais certezas eu disponho?
O passado é a escola
Pro futuro que vem
Do presente a viagem
Nada mais que um porém
E se errado eu estivesse
Quem haveria de dizer
Se é amor que eu recebo
O que mais fará valer?
A certeza é uma dúvida
Ninguem no mundo a desfaz
O segundo seguinte é penumbra
O outro já ficou pra traz
E se essa vida que eu tenho
Quem neste mundo duvida
Que desse amor tiro forças
Pras outras coisas da vida
E se houver um correto
Que se manifeste em vida
Prove ao mundo o que é certo
Ou que procure a saída
Não haverá outra forma
Nem haverá outro caminho
Ei de viver minha vida
Em amores, dores e vinho.
Thiago Giovanella
Seguindo a idéia de publicar textos e poemas de amigos, para talvez incentivar a escrita, esse foi um ótimo poema do meu grande amigo Thiago Giovanella. Espero que gostem e que continuem escrevendo!!
Por mais que pareça ilusão,
Contanto que me mantenha em paz
Não há do que pedir perdão
Não há crime em amar
Nem misterio em viver
Não há perfeição nem divino
Não há por quem sofrer
Tudo é só um delirio
ou quem sabe um sonho
Nada passa de momentos
De quais certezas eu disponho?
O passado é a escola
Pro futuro que vem
Do presente a viagem
Nada mais que um porém
E se errado eu estivesse
Quem haveria de dizer
Se é amor que eu recebo
O que mais fará valer?
A certeza é uma dúvida
Ninguem no mundo a desfaz
O segundo seguinte é penumbra
O outro já ficou pra traz
E se essa vida que eu tenho
Quem neste mundo duvida
Que desse amor tiro forças
Pras outras coisas da vida
E se houver um correto
Que se manifeste em vida
Prove ao mundo o que é certo
Ou que procure a saída
Não haverá outra forma
Nem haverá outro caminho
Ei de viver minha vida
Em amores, dores e vinho.
Thiago Giovanella
Seguindo a idéia de publicar textos e poemas de amigos, para talvez incentivar a escrita, esse foi um ótimo poema do meu grande amigo Thiago Giovanella. Espero que gostem e que continuem escrevendo!!
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