A vida me apertou num canto,
acuado e assustado,
sem saídas por enquanto
me mantenho encurralado.
Do meu tempo e energia.
apenas suór e cansaço.
Empenhado todavia,
me levanto com teu abraço.
terça-feira, 8 de abril de 2014
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
Ode ao gramado e a árvore
Nem tinta,
nem reboco.
Só escuro,
só sufoco.
Nem luz,
nem ar puro,
só concreto
e escuro.
Nem flores,
nem criança.
fica saudade,
fica lembrança.
Talvez me acostume,
talvez viva sem ela.
Não como era antes.
Lá se foi minha janela.
nem reboco.
Só escuro,
só sufoco.
Nem luz,
nem ar puro,
só concreto
e escuro.
Nem flores,
nem criança.
fica saudade,
fica lembrança.
Talvez me acostume,
talvez viva sem ela.
Não como era antes.
Lá se foi minha janela.
quinta-feira, 25 de julho de 2013
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
Ao buscar a constante criatividade vendável, rentável da qual trocamos por passeios aos domingos, carros e TVs gigantes, esquecemos da criatividade do dia à dia, a criatividade bêbada, irresponsável. Criatividade de libertação. Quero com essa liberdade despendurar minhas contas, não as dos boletos, mas as contas da virtude.
terça-feira, 17 de julho de 2012
quinta-feira, 12 de julho de 2012
"Às vezes uma agitação febril se acumulava em seu íntimo e o levava a perambular de noite sozinho pela avenida silenciosa. A paz dos jardins e as luzes generosas nas janelas derramavam uma força amena sobre seu coração inquieto. A algazarra das crianças brincando o aborrecia e suas vozes tolas faziam-no sentir, ainda mais intensamente do que sentira em Clongowes, que era diferente dos outros. Não queria brincar. Queria encontrar no mundo real a imagem quimérica que sua alma contemplava tão constantemente. Não sabia onde ou como a procurar; mas uma premonição que o fazia prosseguir dizia-lhe que esta imagem iria encontrá-lo, sem nenhum ato premeditado de sua parte. Eles se encontrariam tranquilamente como se tivessem se conhecido e tivessem marcado um encontro, talvez em um dos portões ou em algum lugar mais secreto. Estariam sozinhos, cercados pela escuridão e pelo silêncio: e naquele momento de suprema ternura ele ficaria transfigurado. Ele se diluiria em algo impalpável sob os olhos dela e então num instante estaria transfigurado. Fraqueza e timidez e inexperiência o abandonariam naquele momento mágico."
James Joyce, "Um retrato do artista quando jovem" Tradução de Bernardina da Silva Pinheiro
James Joyce, "Um retrato do artista quando jovem" Tradução de Bernardina da Silva Pinheiro
terça-feira, 10 de julho de 2012
Fizeste que eu confessasse os pavores que tenho. Mas vou te dizer também o que não me apavora. Não tenho medo de estar sozinho, de ser desdenhado por quem quer que seja, nem de deixar seja lá o que for que eu tenha que deixar. E não tenho medo, tampouco, de cometer um erro, um erro que dure toda a vida e talvez tanto quanto a própria eternidade mesma.
James Joyce
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